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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Ah, afinal, “Leiria existe, mas só um bocadinho”, vá!

No dia 13 de fevereiro, as turmas do 12º LH e do 10º CT1 assistiram a um espetáculo da companhia “Camisola Preta”, a partir dos Contos de Gin-Tónico de Mário- Henrique Leiria, na Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade.

 A companhia Camisola Preta interpretou alguns dos textos de Mário-Henrique, foi um momento muito especial em que a música e o humor estiveram presentes. Assim, assistimos a uma admirável leitura / interpretação musicada de contos deste autor, considerado um marco da literatura surrealista.

É verdade que alguns contos deixaram os alunos admirados e confusos. Pois os textos desafiam a lógica e a estrutura tradicional, criando situações inusitadas e personagens excêntricas. São narrativas curtas irreverentes, absurdas, mas, muitas vezes, carregadas de humor negro e crítica social. Ninguém pode ficar indiferente à leitura de contos como “A verruga”, “O Pescador” que pesca um nazi”; “ A galinha”, em que um homem tenta ensiná-la a voar e …

Agora, é a tua vez de leres os Contos de Gin -Tónico de Mário-Henrique Leiria.

[Texto: Prof.ª Maria de Jesus Lopes] | [Fotos: @Dina Matos] 














quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Fernando Pessoa: lições de vida, lições de arte

    Na quinta-feira, 30 de janeiro, realizou-se na biblioteca da Escola Secundária do Fundão uma tertúlia sobre Fernando Pessoa, dinamizada pelo professor doutor Gabriel Magalhães.

   O Professor estudou Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Doutorou-se na Universidade da Salamanca, em Espanha, com uma tese intitulada Garrett e Rivas: O Romantismo em Espanha e Portugal (publicada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda em 2009). Foi professor na Universidade de Salamanca e, atualmente, é professor na Universidade da Beira Interior, lecionando unidades curriculares como Literatura Romântica e Realista, Literatura Espanhola IV, Crítica e Criação Literárias e Literatura Comparada, entre outras. Além disso, tem várias obras publicadas, nomeadamente a A casa da alegria, Os crimes inocentes, O mapa do tesouro e Não tenho medo do escuro e, inclusive, também publicou vários artigos em revistas e capítulos de livros.  

    No âmbito do estudo de Fernando Pessoa, as turmas de 12ºCT1, 12ºCTAV e alguns alunos de 10ºano da disciplina de literatura portuguesa deslocaram-se até à biblioteca para assistir à respetiva palestra. O professor Gabriel deu a conhecer um pouco a vida deste autor e abordou a questão da heteronímia. Através da leitura de alguns textos de Pessoa, foram transmitidas algumas “lições de vida” e “lições de arte”.

    O professor Gabriel cativou e motivou, desde o início, os alunos que aderiram com muito entusiasmo às interações do mesmo, o que tornou a palestra mais dinâmica e lúdica, que, de certeza, enriqueceu o estudo dos alunos relativamente a este autor.

     [Núcleo de estágio]

Conferência com o Prof. Gabriel Magalhães na Biblioteca do Agrupamento de Escolas do Fundão
 
aluna na conferência com o Prof. Gabriel Magalhães na Biblioteca do Agrupamento de Escolas do Fundão

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Cesário Verde e a Modernidade: uma tertúlia na Biblioteca

Na sexta-feira, 4 de outubro, realizou-se na biblioteca da Escola Secundária do Fundão uma tertúlia sobre a temática Cesário Verde e a Modernidade, dinamizada pela professora doutora Cristina Maria da Costa Vieira, que leciona na Universidade da Beira Interior, desde 2005 e leciona unidades curriculares de Literatura Barroca e Neoclássica, Literatura Moderna e Contemporânea, História da cultura Brasileira e Literaturas Orais e Marginais, para além de ser diretora do Mestrado de Estudos Lusófonos.

No âmbito do estudo de Cesário Verde, as turmas de 12.ºCT1, 12.ºCT2 e alguns alunos do 12.º ano CTAV participaram nesta tertúlia, com o intuito de aprofundarem o conhecimento sobre este autor. José Joaquim Cesário Verde, mais conhecido por Cesário Verde, nasceu em Lisboa em fevereiro de 1855. É um dos maiores poetas portugueses, sendo considerado um dos pioneiros do modernismo. A sua poesia nunca foi aceite pelos críticos literários, muito devido ao facto de ter uma poesia diferente do que se fazia na altura. Posteriormente, após a sua morte, foi reconhecido e admirado por outros autores da literatura portuguesa, tal como Fernando Pessoa, Sá Carneiro e Mário Cesariny.

Assim, a professora Cristina Vieira, com o seu conhecimento e entusiasmo, cativou e motivou, desde o início, os alunos que participaram ativamente, respondendo às suas perguntas, o que tornou a apresentação mais dinâmica.

[Núcleo de estágio]

Tertúlia

Tertúlia

Tertúlia

Tertúlia

(…)

Como é saudável ter o seu conchego,

E a sua vida fácil! Eu descia,

Sem muita pressa, para o meu emprego,

Aonde agora quase sempre chego

Com as tonturas duma apoplexia.


E rota, pequenina, azafamada,

Notei de costas uma rapariga,

Que no xadrez marmóreo duma escada,

Como um retalho da horta aglomerada

Pousara, ajoelhando, a sua giga.


E eu, apesar do sol, examinei-a.

Pôs-se de pé, ressoam-lhe os tamancos;

E abre-se-lhe o algodão azul da meia,

Se ela se curva, esguelhada, feia,

E pendurando os seus bracinhos brancos.

(…)

“Bairro Moderno”, Cesário Verde

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Dar Voz aos Versos de Eugénio!

Magnífico Nuno Fians, do 10LH2, que conseguiu juntar família a amigos para dar voz aos versos de Eugénio, no âmbito das celebrações do Centenário do Nascimento de Eugénio de Andrade. Podemos ver os vídeos do Nuno, entre muitos outros, também no portal da Biblioteca. Parabéns pelos vídeos, Nuno, e um obrigado extensivo à tua família e amigos.

 

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Parabéns Annie Ernaux - Prémio Nobel da Literatura 2022!

Considerando a atribuição do Prémio Nobel da Literatura, hoje, à escritora francesa Annie Ernaux, repetimos esta publicação que fizemos há cerca de um ano.
Congratulamo-nos com o facto de termos disponível na nossa Biblioteca um dos poucos livros da autora premiada traduzidos para Português.

Parabéns Annie Ernaux!

Escrevíamos o seguinte a 15 de outubro de 2021:

«Para os nossos alunos de 18 anos, fica a sugestão deste livro novo na biblioteca!

SINOPSE

Estendendo-se por um período que vai de 1941 a 2006, em Os Anos conta-se uma história que é simultaneamente coletiva e pessoal, transversal e intimista, de sessenta anos da vida de um país e da vida de uma mulher. Através de pequenos fragmentos narrativos, por meio da relação entre fotografias, canções, filmes, objetos ou eventos da história recente, mais do que uma desconcertante autobiografia, Annie Ernaux constrói uma recordação de um «nós», num relato sobre o que fica quando o tempo passa: «Tudo se apagará num segundo [...] Nem eu nem mim. A língua continuará a pôr o mundo em palavras. Nas conversas à volta de uma mesa em dia de festa seremos apenas um nome, cada vez mais sem rosto, até desaparecermos na multidão anónima de uma geração distante.» Galardoado com diversas distinções, entre as quais o Prémio Marguerite Duras 2008, em França, o Prémio Strega 2016, em Itália, e a seleção para o Prémio Man Booker Internacional de 2019, este livro confirmou Annie Ernaux como uma das mais importantes vozes da literatura francesa deste século.»

domingo, 30 de maio de 2021

Cem Anos de Solidão - 54 anos

No dia 30 de maio de de 1967 era publicada em Buenos Aires, Argentina, a primeira edição de "Cem Anos de Solidão", que muitos consideram a melhor obra de Gabriel García Márquez. Desafiamos-te a perderes-te nela!

«Muchos años después, frente al pelotón de fusilamiento, el coronel Aureliano Buendía había de recordar aquella tarde remota en que su padre lo llevó a conocer el hielo.(...)»

 

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Às vezes a noite, sonolenta, adormece no leito do amanhecer...

Na tarde de um domingo ensolarado de fevereiro, publicamos um poema da Rita Mesquita do 11ºLH que nos foi enviado pela professora Cesaltina Neves. Obrigado Rita e professora! Parabéns pela qualidade do poema!


 Às vezes a noite, sonolenta, adormece no leito do amanhecer.


 A madrugada é impotente, o dia toma um mês para acordar.

 

Os olhos meus, olhos de sujeito, vagueiam fechados sobre um mar de gente,

um lamaçal de conteúdo, um estrondo de palavras,

 

palavras. Não conversas. Conversas exigem respostas, exigem retaliação, exigem sentidos,

 

sentimentos.

 

Ninguém conversa sobre nada, nem quando se conversa sobre a falta de tudo.

 

É curiosa a falta de interesse dos jovens de hoje em dia na sedução de um amanhecer,

na bênção da paciência,

nos acordes de uma guitarra.

 

Uma guitarra que tocou, em tempos, sobre novembro.

 

E é janeiro.

 

E o dia ainda não nasceu.


[Rita Mesquita, 11LH]

quinta-feira, 28 de maio de 2015

2º FESTIVAL LITERÁRIO DA GARDUNHA

fotografia de Manuel Abelho

fotografia de Manuel Abelho







O fim de semana passado enriqueceu culturalmente as terras do Fundão e arredores com o 2º Festival Literário da Gardunha.
Abriu ao público 5ª feira, com o workshop de escrita de viagens com Rui Pelejão e Jorge Flores.
6ª feira, Inês Pedrosa apresentou o seu livro Desamparo.
Entre sábado e domingo muitos foram os escritores que conversaram e apresentaram algumas das suas obras, sempre aludindo ao tema escolhido para o festival, “Lugares Imaginários”.
Tatiana Salem Levy, Inês Pedrosa, Nuno Júdice, Valério Romão, Raquel Ochoa, Pedro Eiras, Ana Cássia Rebelo, Susana Moreira Marques, António Valdemar, Ferreira Fernandes, António Valdemar, Ferreira Fernandes, Rui Cardoso Martins, Maria João Fernandes, Gonçalo Salvado, João Morgado, Manuel da Silva Ramos, José Manuel Castanheira, Tânia Ganho e Andrea Zamorano foram os escritores que desfilaram com palavras bonitas e ideias igualmente encantatórias, mostrando que lugares imaginários há muitos e que todos podemos viajar para lá.
Para Nuno Júdice, “a viagem dos escritores é a viagem dentro deles” e Tatiana sublinhou que “é necessário viajar, depois “vira” a realidade para a imaginação”. Quanto aos lugares, “são sempre uma soma dos lugares que a gente viveu ou imaginou”. “A literatura tem esse poder de nos levar a outros lugares antes do avião.”
Salientamos as palavras de Raquel Ochoa, segundo a qual “a realidade ultrapassa a imaginação”. Para o demonstrar afirma que a realidade não cessa de nos surpreender, como é o caso da casa mais rica do mundo, na Índia, que é um prédio, com heliporto e todas as comodidades, 600 empregados e a vista para a grande favela junto ao aeroporto, coisa que ninguém poderia imaginar!
Ana Cássia partiu da insónia para, depois de viajar por muitas palavras e por muitos lugares imaginários, achar que um lugar imaginário, referido por um amigo, que lhe curava a insónia, só podia vir de um livro.
Retomando a realidade, Pedro Eiras referiu que “o real é apenas um dos lugares possíveis. Se calhar nem é o melhor.”
João Morgado, escritor natural da Covilhã, que lançou o seu livro Vera Cruz, recentemente, viaja até à sua infância na ruralidade da casa dos seus avós para dizer que a sua “primeira ficção foi criar diálogos entre as sombras” que via. Com nostalgia, refere-se carinhosamente ao facto de ter ouvido na rádio “os grandes clássicos à luz dos candeeiros a petróleo”.
Mais tarde, João Ricardo Pedro retomaria este mesmo tema ao afirmar que “os lugares de infância de cada um tornam-se lugares imaginários. Muita da inspiração que teve no seu ainda único livro O teu rosto será o último foi buscá-la à sua infância, quando passava férias em São Miguel d’Acha  e ouvia as mesmas histórias, contadas pelas mesmas pessoas, ano após ano, no lagar de azeite da aldeia. Quanto ao escritor, este foi o seu primeiro contacto com a literatura.
Manuel João Ramos, antropólogo, amante da Etiópia, para onde viaja anualmente e onde recolhe histórias da sua literatura oral, introduz no festival a ideia de que nós vivemos numa “bolha” que é a Europa e que não traduz, de modo algum, o mundo. “A vida fora da bolha é infinitamente complicada.”
Em pleno piquenique literário, José Manuel Castanheira apresentou o seu livro da viagem que fez com o seu filho por terras italianas, intitulado Viagem a Itália.
Na noite de sábado, Alexandre O’Neil foi homenageado com a peça “Portugal meu remorso”, com direcção artística e interpretação de João Reis e Ana Nave.
Enfim, o 2º Festival da Gardunha, com o tema “lugares imaginários”, proporcionou, ao longo de três dias, várias viagens em que, sem sair do mesmo lugar, pudemos entrar numa multiplicidade de lugares, todos eles imaginários, por força dos livros e de quem os escreve, para bem de todos.
Ler os livros dos autores participantes neste festival será ainda uma outra viagem, maior ainda do que aquela que foi estar presente no evento e que propomos a todos os nossos seguidores.



quinta-feira, 14 de maio de 2015

100 ANOS DE ORPHEU



O Museu Arqueológico José Monteiro, no Fundão, inaugurou ontem a exposição “100 anos de Orpheu”, que decorrerá até ao dia 7 de julho e que contempla visitas guiadas a turmas, de acordo com as solicitações.






quarta-feira, 15 de abril de 2015

GÜNTER GRASS

Günter Grass morreu.
Mas um homem como este escritor alemão nunca morre, pois a sua obra, magnificamente, perpetua o seu autor, mesmo antes de ele morrer.
A prová-lo, transcrevemos, do índice da sua obra A ratazana, os nomes dos capítulos primeiro e segundo.
“CAPÍTULO PRIMEIRO, no qual um desejo é satisfeito, na Arca de Noé não há lugar para as ratazanas, do homem apenas fica o lixo, um barco muda várias vezes de nome, os dinossauros extinguem-se, um velho conhecido entra em cena, um postal traz um convite para uma viagem à Polónia, pratica-se o andar erecto e faz-se malha com toda a força.

CAPÍTULO SEGUNDO, no qual falsários de génio são nomeados e as ratazanas se tornam moda, a conclusão é contestada, Hänsel e Gretel fogem, no Canal 3 passa qualquer coisa sobre Hameln, alguém não sabe se deve fazer uma viagem, o navio lança âncora nos locais do acidente e em seguida há almôndegas para o almoço, grupos de pessoas ardem e ratazanas bloqueiam o trânsito em todo o lado.”
A ratazana, a nossa proposta de leitura.

FRONTEIRA - FESTIVAL LITERÁRIO DE CASTELO BRANCO

Nos passados dias 10 e 11 de abril, aconteceu o FRONTEIRA – FESTIVAL LITERÁRIO DE CASTELO BRANCO.
Teve início em Alcains, com o ilustrador Paulo Galindro, dia 10 e continuou de forma brilhante, dia 11, de manhã, na biblioteca municipal, com a apresentação do romance histórico de João Morgado, Vera Cruz, animada pela guitarra e voz de João Afonso.
De tarde as sessões não foram menos interessantes, com João Tordo, Bruno Vieira do Amaral, João de Melo, Valério Romão, Francisco José Viegas, o espanhol José Manuel Fajardo e, por fim, Valter Hugo Mãe. Todos os escritores foram  moderados alternadamente por Tito Couto e Pedro Vieira, de forma bem descontraída.
A genialidade atravessou todo o dia sob o tema das fronteiras e pudemos confortar a nossa mente com palavras e ideias sábias e inteligentes.
Deixamos aqui uma das ideias expostas por João de Melo, a propósito das fronteiras, que afirmou que “a literatura, para ser literária, teria de ser um lugar para todos os lugares e de um tempo para todos os tempos”.
Ainda uma ideia de Valério Romão, “As mulheres vivem uma história Disney e os homens uma espécie de filme pornográfico”, que ilustra o bom humor que esteve sempre presente ao longo das sessões.
No fim da noite,, as palavras ainda soavam a poesia, na voz de Valter Hugo Mãe, ao dizer que “a poesia é onde está a extremidade da palavra”.

E sim, podemos afirmar que este festival foi constituído por extremos de genialidade, de inteligência de bom humor, de muito bom alimento para o espírito.




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