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sexta-feira, 6 de junho de 2025

"Poesia em Ti" enche Biblioteca Escolar de criatividade e inspiração

Decorreu ontem, na Biblioteca Escolar, um workshop de escrita criativa intitulado "Poesia em Ti", dinamizado por dois docentes de Filosofia, com experiência no mundo da escrita poética, ambos com livros de poesia publicados. A sessão contou com a participação das turmas B e F do 8.º ano e revelou-se uma experiência verdadeiramente enriquecedora, despertando nos alunos novas formas de olhar e pensar a escrita e a poesia.

O professor Manuel Bento abriu a sessão com uma questão sobre a origem da palavra “poesia”. A partir daí, procurou desmistificar a ideia de que só os grandes nomes da literatura são capazes de escrever poesia. Encorajou os alunos a explorarem a linguagem como um jogo de sentidos, defendendo que, muitas vezes, é ao libertarmo-nos do sentido literal das palavras que encontramos espaço para a expressão mais autêntica das emoções. Para pôr esta filosofia em prática, escreveu um conjunto de palavras num quadro branco e lançou o desafio: criar versos a partir dessas palavras. O resultado foi surpreendente, com os alunos a revelarem criatividade e sensibilidade na sua escrita.

Seguiu-se a professora Catarina Crocker, que apresentou uma imagem invulgarmente inspiradora — um estendal de roupa — e propôs aos alunos que escrevessem versos a partir dessa imagem. O objetivo era mostrar que até os elementos mais simples do quotidiano, como um estendal, podem ser fonte de inspiração poética. Para encerrar, presenteou os alunos com a leitura de um poema da sua autoria, inspirado precisamente nos estendais de Lisboa.

A sessão decorreu num ambiente de grande entusiasmo e envolvimento, e o tempo passou de forma tão leve que quase não se deu por ele. Foi, sem dúvida, uma atividade que abriu portas à criatividade e à expressão pessoal dos alunos, deixando vontade de continuar a escrever e a explorar o mundo das palavras.

A Biblioteca Escolar agradece calorosamente aos professores Manuel Bento e Catarina Crocker, cujo entusiasmo, sensibilidade e capacidade de motivar os alunos tornaram este workshop numa experiência memorável.

sexta-feira, 21 de março de 2025

Dia da Poesia

Assinalamos o Dia Mundial da Poesia com uma exposição organizada pelo núcleo de estágio de Português. A mostra, patente no átrio da entrada da Escola Secundária de 17 a 25 de março, reúne trabalhos de alunos do 10.º CT1, 12.º CT2 e 12.º CTAV, destacando a riqueza da poesia portuguesa. A iniciativa convida a comunidade educativa a mergulhar no universo poético através de versos escolhidos, leituras expressivas e conteúdos multimédia interativos, como nos conta aquele núcleo de estágio.

 

Hoje, dia 21 de março, assinala -se o Dia da Poesia, o núcleo de estágio de Português, sob orientação da Professora Maria de Jesus Lopes e com o apoio de dois alunos de CTAV e a colaboração da professora Catarina Ferreira, organizou uma exposição alusiva a este dia, que estará patente no átrio da entrada da Escola Secundária de 17 a 25 de março.

A exposição apresenta trabalhos realizados por alunos do 10.º CT1, 12.ºCT2 e 12.ºCTAV. O espaço foi organizado para que se promovesse um ambiente propício à poesia de autores portugueses, nomeadamente Luís de Camões, Cesário Verde, Fernando Pessoa, Miguel Torga, Florbela Espanca, Nuno Júdice, entre outros. Os alunos das mencionadas turmas escolheram versos de autores portugueses estudados, que escreveram em cartões, e produziram vídeos criativos, com a leitura expressiva de poemas de autores portugueses. Quem quiser ouvir poemas musicados, poderá fazê-lo usando o seu telemóvel para ler o código QR presente nas flores.

Convidamos a comunidade educativa a visitar a exposição, a parar um pouco, sentar-se no banco da poesia e ler um poema ou alguns versos escolhidos pelos nossos alunos. 

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa e não estamos de mãos enlaçadas

    (enlacemos as mãos)
                                                                        Ricardo Reis

   [Texto de: Maria de Jesus Lopes e núcleo de estágio - Andreia Figueira e Juliana Nunes]

 

 

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Cesário Verde e a Modernidade: uma tertúlia na Biblioteca

Na sexta-feira, 4 de outubro, realizou-se na biblioteca da Escola Secundária do Fundão uma tertúlia sobre a temática Cesário Verde e a Modernidade, dinamizada pela professora doutora Cristina Maria da Costa Vieira, que leciona na Universidade da Beira Interior, desde 2005 e leciona unidades curriculares de Literatura Barroca e Neoclássica, Literatura Moderna e Contemporânea, História da cultura Brasileira e Literaturas Orais e Marginais, para além de ser diretora do Mestrado de Estudos Lusófonos.

No âmbito do estudo de Cesário Verde, as turmas de 12.ºCT1, 12.ºCT2 e alguns alunos do 12.º ano CTAV participaram nesta tertúlia, com o intuito de aprofundarem o conhecimento sobre este autor. José Joaquim Cesário Verde, mais conhecido por Cesário Verde, nasceu em Lisboa em fevereiro de 1855. É um dos maiores poetas portugueses, sendo considerado um dos pioneiros do modernismo. A sua poesia nunca foi aceite pelos críticos literários, muito devido ao facto de ter uma poesia diferente do que se fazia na altura. Posteriormente, após a sua morte, foi reconhecido e admirado por outros autores da literatura portuguesa, tal como Fernando Pessoa, Sá Carneiro e Mário Cesariny.

Assim, a professora Cristina Vieira, com o seu conhecimento e entusiasmo, cativou e motivou, desde o início, os alunos que participaram ativamente, respondendo às suas perguntas, o que tornou a apresentação mais dinâmica.

[Núcleo de estágio]

Tertúlia

Tertúlia

Tertúlia

Tertúlia

(…)

Como é saudável ter o seu conchego,

E a sua vida fácil! Eu descia,

Sem muita pressa, para o meu emprego,

Aonde agora quase sempre chego

Com as tonturas duma apoplexia.


E rota, pequenina, azafamada,

Notei de costas uma rapariga,

Que no xadrez marmóreo duma escada,

Como um retalho da horta aglomerada

Pousara, ajoelhando, a sua giga.


E eu, apesar do sol, examinei-a.

Pôs-se de pé, ressoam-lhe os tamancos;

E abre-se-lhe o algodão azul da meia,

Se ela se curva, esguelhada, feia,

E pendurando os seus bracinhos brancos.

(…)

“Bairro Moderno”, Cesário Verde

segunda-feira, 10 de junho de 2024

Dia de Camões

Hoje, que se comemora o Dia de Camões, publicamos este pequeno vídeo, realizado pelo aluno Igor Ramos, do 8.º C, com o recurso a Inteligência Artificial, que nos foi enviado pela professora de Português, Maria de Jesus Lopes.

Feliz Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas para todos!

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Nada de bom vem da guerra

 A pedido do jornal escolar "Olho Vivo", publicamos o seguinte poema que, por falta de espaço, não pode fazer parte do último número daquele jornal.


Nada de bom vem da guerra


Nada de bom vem da guerra

Dos prédios em chamas que engolem a terra

Da mãe que pelos filhos berra

Mas marcham avante os soldados

Meros fantoches amedrontados

Com a morte controlados


O sol, mesmo assim brilha radiante, ilumina os corpos sangrentos


Que os de poder sedentos

Mandaram á pressa para a trincheira

Luz o sol sobre o fim de uma vida inteira

Que agora se dissolve em tons de escarlate

As crianças, tiradas á força do colo das mães

A mando, foram para o abate

Trocando a infância por mais terra e bens


Reviram os olhos, que já mal vida conseguem ter

Cientes que é isto o que é morrer

Pedem perdão pelo que nunca fizeram

Por não ter tempo de o fazer


Cobertas de sangue as mãos que nunca culpa disto tiveram


Suspiram pela morte

Não esperam


E é ao segurar a mãe, que pelos seus mortos filhos berra

Que se sabe com certeza que nada de bom vem da guerra


Joana Martins, aluna do 10LHCSE

terça-feira, 21 de maio de 2024

Sebastião, o menino que nasceu poeta, de Idalina Veríssimo - Centenário de Sebastião da Gama

Agradecemos à docente Catarina Crocker a oferta do livro "Sebastião, o menino que nasceu poeta", escrito por Idalina Veríssimo e ilustrado por Cristina Arvana, um livro lançado na Casa-Memória Joana Luísa e Sebastião da Gama, que conta a crianças dos 6 aos 12 anos a história do nosso grande poeta. 

A edição deste livro, em 10 de abril, surge no âmbito da celebração do Centenário do poeta Sebastião da Gama (nascido em 10 de abril de 1924). Apesar de ter falecido ainda muito novo (7 de fevereiro de 1952), vítima de tuberculose, deixou-nos uma obra fenomenal e com uma mensagem intemporal.

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Deixamos um poema do autor, que todos devem conhecer muito bem.

O Sonho 

Pelo Sonho é que vamos, 
comovidos e mudos. 
Chegamos? Não chegamos? 
Haja ou não haja frutos, 
pelo sonho é que vamos. 
Basta a fé no que temos, 
Basta a esperança naquilo 
que talvez não teremos. 
Basta que a alma demos, 
com a mesma alegria, 
ao que desconhecemos 
e do que é do dia-a-dia. 

Chegamos? Não chegamos? 
– Partimos. Vamos. Somos.”

Sebastião da Gama in Pelo Sonho É Que Vamos (1953)

quinta-feira, 25 de abril de 2024

Revolução, Sophia de Mello Breyner Andresen

poesia por abril

Revolução

Como casa limpa

Como chão varrido

Como porta aberta

Como puro início

Como tempo novo

Sem mancha nem vício

Como a voz do mar

Interior de um povo

Como página em branco

Onde o poema emerge

Como arquitectura

Do homem que ergue

Sua habitação

27 de Abril de 1974


         Sophia de Mello Breyner Andresen, in O Nome das Coisas, 1977

Liberdade, Fernando Pessoa


Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa.

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…

Fernando Pessoa

A cor da Liberdade, Jorge de Sena

 

A Cor da liberdade

Não hei-de morrer sem saber

qual a cor da liberdade.


Eu não posso senão ser

desta terra em que nasci.

Embora ao mundo pertença

e sempre a verdade vença,

qual será ser livre aqui,

não hei-de morrer sem saber.


Trocaram tudo em maldade,

é quase um crime viver.

Mas, embora escondam tudo

e me queiram cego e mudo,

não hei-de morrer sem saber

qual a cor da liberdade.


Jorge de Sena

(1919-1978)

Mulheres do meu país, Maria Teresa Horta


Mulheres do meu País


Deu-nos Abril
o gesto e a palavra

fala de nós
por dentro da raiz

Mulheres
quebrámos as grandes barricadas
dizendo: igualdade
a quem ouvir nos quis

Assim continuamos
de mãos dadas

O povo somos:
Mulheres do meu país

Maria Teresa Horta, in: Mulheres de Abril -1977-

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Ressurgiremos, Sophia de Mello Breyner Andresen


RESSURGIREMOS

Ressurgiremos ainda sob os muros de Cnossos

E em Delphos centro do mundo

Ressurgiremos ainda na dura luz de Creta


Ressurgiremos ali onde as palavras

São o nome das coisas

E onde são claros e vivos contornos

Na aguda luz de Creta


Ressurgiremos ali onde pedra estrela e tempo

São o reino do homem

Ressurgiremos para olhar para a terra de frente

Na luz limpa de Creta


Pois convém tornar claro o coração do homem

E erguer a negra exatidão da cruz

Na luz branca de Creta.


Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto, 1962

Urgentemente, Eugénio de Andrade


URGENTEMENTE

É urgente o amor

É urgente um barco no mar


É urgente destruir certas palavras,

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos, muitas espadas.


É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,

é urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras.


Cai o silêncio nos ombros e a luz

impura, até doer.

É urgente o amor, é urgente

permanecer.


Eugénio de Andrade, As Palavras Interditas, 1951

Data, Sophia de Mello Breyner Andresen

Poesia

 Data

Tempo de solidão e de incerteza

Tempo de medo e tempo de traição

Tempo de injustiça e de vileza

Tempo de negação


Tempo de covardia e tempo de ira

Tempo de mascarada e de mentira

Tempo de escravidão


Tempo dos coniventes sem cadastro

Tempo de silêncio e de mordaça

Tempo onde o sangue não tem rasto

Tempo da ameaça


Sophia de Mello Breyner Andresen, LIVRO SEXTO, 1.ª ed., 1962

Ode à Paz, Natália Correia

 

Ode à Paz

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,

Pelas aves que voam no olhar de uma criança,

Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,

Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,


Pela branda melodia do rumor dos regatos,


Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,

Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,

Pela exatidão das rosas, pela Sabedoria,

Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,

Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,

Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,

Pelos aromas maduros de suaves outonos,

Pela futura manhã dos grandes transparentes,

Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,

Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas

Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,

Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,

Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.

Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,

Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,

Abre as portas da História,

deixa passar a Vida!


Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)"

terça-feira, 23 de abril de 2024

Trova do vento que passa, Manuel Alegre

 

Trova do vento que passa


Pergunto ao vento que passa

notícias do meu país

e o vento cala a desgraça

o vento nada me diz.


Pergunto aos rios que levam

tanto sonho à flor das águas

e os rios não me sossegam

levam sonhos deixam mágoas.


Levam sonhos deixam mágoas

ai rios do meu país

minha pátria à flor das águas

para onde vais? Ninguém diz.


Se o verde trevo desfolhas

pede notícias e diz

ao trevo de quatro folhas

que morro por meu país.


Pergunto à gente que passa

por que vai de olhos no chão.

Silêncio -- é tudo o que tem

quem vive na servidão.


Vi florir os verdes ramos

direitos e ao céu voltados.

E a quem gosta de ter amos

vi sempre os ombros curvados.


E o vento não me diz nada


ninguém diz nada de novo.

Vi minha pátria pregada

nos braços em cruz do povo.


Vi minha pátria na margem

dos rios que vão pró mar

como quem ama a viagem

mas tem sempre de ficar.


Vi navios a partir

(minha pátria à flor das águas)

vi minha pátria florir

(verdes folhas verdes mágoas).


Há quem te queira ignorada

e fale pátria em teu nome.

Eu vi-te crucificada

nos braços negros da fome.


E o vento não me diz nada

só o silêncio persiste.

Vi minha pátria parada

à beira de um rio triste.


Ninguém diz nada de novo

se notícias vou pedindo

nas mãos vazias do povo

vi minha pátria florindo.


E a noite cresce por dentro

dos homens do meu país.

Peço notícias ao vento


e o vento nada me diz.


Quatro folhas tem o trevo

liberdade quatro sílabas.

Não sabem ler é verdade

aqueles pra quem eu escrevo.


Mas há sempre uma candeia

dentro da própria desgraça

há sempre alguém que semeia

canções no vento que passa.


Mesmo na noite mais triste

em tempo de servidão

há sempre alguém que resiste

há sempre alguém que diz não.


Manuel Alegre e António Portugal, 1963

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