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quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Fernando Pessoa: lições de vida, lições de arte

    Na quinta-feira, 30 de janeiro, realizou-se na biblioteca da Escola Secundária do Fundão uma tertúlia sobre Fernando Pessoa, dinamizada pelo professor doutor Gabriel Magalhães.

   O Professor estudou Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Doutorou-se na Universidade da Salamanca, em Espanha, com uma tese intitulada Garrett e Rivas: O Romantismo em Espanha e Portugal (publicada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda em 2009). Foi professor na Universidade de Salamanca e, atualmente, é professor na Universidade da Beira Interior, lecionando unidades curriculares como Literatura Romântica e Realista, Literatura Espanhola IV, Crítica e Criação Literárias e Literatura Comparada, entre outras. Além disso, tem várias obras publicadas, nomeadamente a A casa da alegria, Os crimes inocentes, O mapa do tesouro e Não tenho medo do escuro e, inclusive, também publicou vários artigos em revistas e capítulos de livros.  

    No âmbito do estudo de Fernando Pessoa, as turmas de 12ºCT1, 12ºCTAV e alguns alunos de 10ºano da disciplina de literatura portuguesa deslocaram-se até à biblioteca para assistir à respetiva palestra. O professor Gabriel deu a conhecer um pouco a vida deste autor e abordou a questão da heteronímia. Através da leitura de alguns textos de Pessoa, foram transmitidas algumas “lições de vida” e “lições de arte”.

    O professor Gabriel cativou e motivou, desde o início, os alunos que aderiram com muito entusiasmo às interações do mesmo, o que tornou a palestra mais dinâmica e lúdica, que, de certeza, enriqueceu o estudo dos alunos relativamente a este autor.

     [Núcleo de estágio]

Conferência com o Prof. Gabriel Magalhães na Biblioteca do Agrupamento de Escolas do Fundão
 
aluna na conferência com o Prof. Gabriel Magalhães na Biblioteca do Agrupamento de Escolas do Fundão

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

87 anos

Fernando Pessoa deixou-nos no dia de hoje.

Há 87 anos.

Foto: Rede de Bibliotecas Municipais de Santander

segunda-feira, 13 de junho de 2016

ANIVERSÁRIO DE FERNANDO PESSOA

No dia do aniversário de Fernando Pessoa, relembramos o seu magnífico poema "Aniversário".

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...


Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

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