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sábado, 25 de abril de 2026

25 de Abril, a Liberdade em palavras na Con.estóri@s n.º 3

Hoje, dia em que se comemora o 25 de Abril, Dia da Liberdade, divulgamos o número 3 da revista Con.estóri@s, uma publicação que continua a afirmar-se como espaço de expressão, reflexão e partilha.

Depois das edições anteriores, que foram amplamente divulgadas no blogue da Biblioteca Escolar e que podem ser (re)lidas aqui e aqui, chega agora um novo número que assume um significado particularmente relevante.

Esta terceira edição é dedicada ao 25 de Abril, data maior da história contemporânea portuguesa, símbolo maior da Liberdade, da democracia e da conquista de direitos fundamentais. Através dos diferentes textos, os alunos dão voz à importância de preservar e valorizar esse legado.

A coordenação deste número esteve a cargo do aluno do 12.º ano, Martim Fernandes, cujo trabalho merece um reconhecimento especial, não só pela responsabilidade assumida, mas também pela qualidade do resultado final. A revista integra, ainda, artigos produzidos por alunos dos cursos EFA, evidenciando o envolvimento e a diversidade de contributos que caracterizam este projeto.

A Biblioteca Escolar felicita todos os alunos envolvidos pelo empenho, pela dedicação e pelo sentido de responsabilidade demonstrados ao longo deste processo.

A revista pode ser lida em baixo ou consultada na íntegra através do seguinte link:

Feliz Dia da Liberdade para todos!

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Bibliotecas Humanas: Quando as Histórias se contam na primeira pessoa

 No âmbito da iniciativa Bibliotecas Humanas, a Biblioteca Escolar volta a dar voz a testemunhos vivos que transformam a História em experiência partilhada. Num momento em que se aproxima a evocação do 25 de Abril, escutar na primeira pessoa quem viveu os contextos que antecederam a Revolução ganha particular significado. O encontro com o Coronel Leonardo Freixo, participante no Movimento dos Capitães, proporcionou aos alunos uma oportunidade rara de contacto direto com memórias da Guerra Colonial e dos sinais de mudança que marcaram o país. O texto que se segue, da autoria de dois alunos do ensino secundário, o João Redondo e o Martim Fernandes, reflete esse encontro entre gerações, onde a palavra dita se torna memória escrita e consciência histórica.

Bibliotecas Humanas: Quando as histórias se contam na primeira pessoa

Leonardo dos Santos Freixo nasceu no Rosmaninhal, concelho de Idanha-a-Nova, e dedicou 41 anos ao serviço militar. Iniciou a sua carreira em 1961, ingressando na Academia Militar, tendo depois seguido para o Regimento de Infantaria 5, nas Caldas da Rainha. Em 1968, formou companhia com destino à Guiné, onde permaneceu até 1971. Desde então, e até à data da sua reforma, exerceu funções com a categoria de Coronel no Batalhão de Caçadores 6 de Castelo Branco. O Coronel Leonardo Freixo participou ativamente no Movimento dos Capitães.

Nesta sessão da iniciativa Bibliotecas Humanas, os alunos do 9.º ano e do ensino secundário que estudam História ouviram do Coronel mais do que histórias ou testemunhos; ouviram estórias. Desde a sua infância em diversos pontos do país, à partida para a Guerra Colonial, passando pelas reuniões do MFA, foram estes alguns dos momentos que marcaram a nossa conversa.

No auditório, o Coronel ajeitou-se ligeiramente, como quem procura as palavras mais difíceis. Falava com calma, mas havia algo na sua voz que prendia quem o ouvia. Crescera em aldeias raianas, num ambiente onde a farda fazia parte do quotidiano; o pai, oficial da GNR, ensinara-lhe desde cedo o peso da responsabilidade.

Quando entrou nas memórias da Guerra Colonial, o ambiente mudou. Fez uma pausa, olhou em redor e contou um episódio que nunca esqueceu. Estava a falar com um camarada, corrigindo-o por um comportamento impróprio. Era uma conversa tensa, mas comum. De repente, o camarada deu um passo em frente e tudo aconteceu num instante. Uma rajada. O corpo caiu. Ainda com a cabeça ligeiramente levantada, ouviu-se: “Capitão, Capitão”. E depois, nada. O silêncio instalou-se, pesado.

Respirou fundo antes de continuar. Na Guiné, explicou, começavam a surgir sinais de descontentamento após o Decreto-Lei nº 353/73. As conversas multiplicavam-se, discretas, quase cautelosas. Lembrou o dia 8 de setembro de 1973, quando um colega o chamou para Alcáçovas, sem grandes explicações.

Esperavam poucos, contudo apareceram muitos mais, cerca de 135 ou 136 homens. Naquele momento, sem que todos o percebessem, algo maior começava a ganhar forma.

[Texto de João Redondo e Martim Fernandes, 12º LHAV]








terça-feira, 18 de novembro de 2025

🎦Já na Biblioteca: "Ontem e Hoje: as imagens de Abril" - Uma Perspetiva sobre a História Recente

Temos um novo título no nosso acervo que vale a pena conhecer!

A Biblioteca do Agrupamento de Escolas do Fundão informa que o documentário "As Coisas Não São Feitas por Acaso", de Tiago Cravidão já está disponível para requisição ou visionamento.

Este documentário foca-se na vivência e no trabalho de Eduardo Gageiro, um fotógrafo que registou momentos importantes da história portuguesa. A obra acompanha a sua trajetória, desde o quotidiano em Trás-os-Montes e Martim Moniz até ao momento da rendição do regime por Salgueiro Maia.

É uma abordagem à história recente do país através da fotografia e um recurso interessante para quem gosta de aprofundar temas de História, Cidadania e Artes Visuais.

A inclusão deste título no nosso catálogo só foi possível graças à oferta feita à Biblioteca pela Casa da Esquina - Associação Cultural (Coimbra).

Agradecemos-lhe a contribuição para o enriquecimento dos nossos recursos.

Seja para usar em trabalhos escolares, para aprofundar o conhecimento sobre o 25 de Abril, ou apenas para assistir a um bom documentário, o filme está à tua espera!



sexta-feira, 10 de maio de 2024

EB1 de Alcaria: exposição "Rumo ao Cinquentenário" a visitar!

Fomos informados, pelas docentes da Escola EB1 de Alcaria, que se encontra na EB de Alcaria a exposição itinerante "Rumo ao Cinquentenário", promovida pela  Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade, e que se integra nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril.

Esta exposição pode ser visitada pelos alunos e respetivos Encarregados de Educação durante o horário se funcionamento da Escola.


quinta-feira, 25 de abril de 2024

Revolução, Sophia de Mello Breyner Andresen

poesia por abril

Revolução

Como casa limpa

Como chão varrido

Como porta aberta

Como puro início

Como tempo novo

Sem mancha nem vício

Como a voz do mar

Interior de um povo

Como página em branco

Onde o poema emerge

Como arquitectura

Do homem que ergue

Sua habitação

27 de Abril de 1974


         Sophia de Mello Breyner Andresen, in O Nome das Coisas, 1977

Liberdade, Fernando Pessoa


Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa.

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…

Fernando Pessoa

O que é, para nós, a Liberdade?...

...foi a questão à qual os alunos do 8.ºC responderam, num texto escrito a várias mãos, e que aqui deixamos, em formato áudio, desejando a todos os nossos utilizadores um feliz Dia da Liberdade.

A cor da Liberdade, Jorge de Sena

 

A Cor da liberdade

Não hei-de morrer sem saber

qual a cor da liberdade.


Eu não posso senão ser

desta terra em que nasci.

Embora ao mundo pertença

e sempre a verdade vença,

qual será ser livre aqui,

não hei-de morrer sem saber.


Trocaram tudo em maldade,

é quase um crime viver.

Mas, embora escondam tudo

e me queiram cego e mudo,

não hei-de morrer sem saber

qual a cor da liberdade.


Jorge de Sena

(1919-1978)

Mulheres do meu país, Maria Teresa Horta


Mulheres do meu País


Deu-nos Abril
o gesto e a palavra

fala de nós
por dentro da raiz

Mulheres
quebrámos as grandes barricadas
dizendo: igualdade
a quem ouvir nos quis

Assim continuamos
de mãos dadas

O povo somos:
Mulheres do meu país

Maria Teresa Horta, in: Mulheres de Abril -1977-

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Ressurgiremos, Sophia de Mello Breyner Andresen


RESSURGIREMOS

Ressurgiremos ainda sob os muros de Cnossos

E em Delphos centro do mundo

Ressurgiremos ainda na dura luz de Creta


Ressurgiremos ali onde as palavras

São o nome das coisas

E onde são claros e vivos contornos

Na aguda luz de Creta


Ressurgiremos ali onde pedra estrela e tempo

São o reino do homem

Ressurgiremos para olhar para a terra de frente

Na luz limpa de Creta


Pois convém tornar claro o coração do homem

E erguer a negra exatidão da cruz

Na luz branca de Creta.


Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto, 1962

Urgentemente, Eugénio de Andrade


URGENTEMENTE

É urgente o amor

É urgente um barco no mar


É urgente destruir certas palavras,

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos, muitas espadas.


É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,

é urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras.


Cai o silêncio nos ombros e a luz

impura, até doer.

É urgente o amor, é urgente

permanecer.


Eugénio de Andrade, As Palavras Interditas, 1951

EB1 de Valverde: 50 de anos de Abril

Também os alunos da EB1 de Valverde participaram nas comemorações dos 50 anos da Revolução de Abril. A leitura de poemas foi recolhida pela professora Ana Baptista, responsável pela Biblioteca Escolar daquela Escola. Ficamos sensibilizados a ouvir as vozes dos mais pequenos a "cantarem" Abril, já disponíveis no Spotify daquela Biblioteca.

Data, Sophia de Mello Breyner Andresen

Poesia

 Data

Tempo de solidão e de incerteza

Tempo de medo e tempo de traição

Tempo de injustiça e de vileza

Tempo de negação


Tempo de covardia e tempo de ira

Tempo de mascarada e de mentira

Tempo de escravidão


Tempo dos coniventes sem cadastro

Tempo de silêncio e de mordaça

Tempo onde o sangue não tem rasto

Tempo da ameaça


Sophia de Mello Breyner Andresen, LIVRO SEXTO, 1.ª ed., 1962

Ode à Paz, Natália Correia

 

Ode à Paz

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,

Pelas aves que voam no olhar de uma criança,

Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,

Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,


Pela branda melodia do rumor dos regatos,


Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,

Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,

Pela exatidão das rosas, pela Sabedoria,

Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,

Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,

Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,

Pelos aromas maduros de suaves outonos,

Pela futura manhã dos grandes transparentes,

Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,

Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas

Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,

Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,

Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.

Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,

Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,

Abre as portas da História,

deixa passar a Vida!


Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)"

terça-feira, 23 de abril de 2024

Trova do vento que passa, Manuel Alegre

 

Trova do vento que passa


Pergunto ao vento que passa

notícias do meu país

e o vento cala a desgraça

o vento nada me diz.


Pergunto aos rios que levam

tanto sonho à flor das águas

e os rios não me sossegam

levam sonhos deixam mágoas.


Levam sonhos deixam mágoas

ai rios do meu país

minha pátria à flor das águas

para onde vais? Ninguém diz.


Se o verde trevo desfolhas

pede notícias e diz

ao trevo de quatro folhas

que morro por meu país.


Pergunto à gente que passa

por que vai de olhos no chão.

Silêncio -- é tudo o que tem

quem vive na servidão.


Vi florir os verdes ramos

direitos e ao céu voltados.

E a quem gosta de ter amos

vi sempre os ombros curvados.


E o vento não me diz nada


ninguém diz nada de novo.

Vi minha pátria pregada

nos braços em cruz do povo.


Vi minha pátria na margem

dos rios que vão pró mar

como quem ama a viagem

mas tem sempre de ficar.


Vi navios a partir

(minha pátria à flor das águas)

vi minha pátria florir

(verdes folhas verdes mágoas).


Há quem te queira ignorada

e fale pátria em teu nome.

Eu vi-te crucificada

nos braços negros da fome.


E o vento não me diz nada

só o silêncio persiste.

Vi minha pátria parada

à beira de um rio triste.


Ninguém diz nada de novo

se notícias vou pedindo

nas mãos vazias do povo

vi minha pátria florindo.


E a noite cresce por dentro

dos homens do meu país.

Peço notícias ao vento


e o vento nada me diz.


Quatro folhas tem o trevo

liberdade quatro sílabas.

Não sabem ler é verdade

aqueles pra quem eu escrevo.


Mas há sempre uma candeia

dentro da própria desgraça

há sempre alguém que semeia

canções no vento que passa.


Mesmo na noite mais triste

em tempo de servidão

há sempre alguém que resiste

há sempre alguém que diz não.


Manuel Alegre e António Portugal, 1963

Cântico, Miguel Torga


Cântico

Mundo à nossa medida

Redondo como os olhos,

E como eles, também,

A receber de fora

A luz e a sombra, consoante a hora


Mundo apenas pretexto

Doutros mundos.

Base de onde levanta

A inquietação,

Cansada da uniforme rotação

Do dia a dia.

Mundo que a fantasia

Desfigura

A vê-lo cada vez de mais altura.


Mundo do mesmo barro

De que somos feitos.

Carne da nossa carne

Apodrecida.

Mundo que o tempo gasta e arrefece,

Mas o único jardim que se conhece

Onde floresce a vida.


Poesia Completa de Miguel Torga, 2000

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