segunda-feira, 6 de novembro de 2023
sábado, 22 de abril de 2023
Zeladores do património
Alguns do nossos alunos tornaram-se agora zeladores de património, na sequência de uma visita ao Palacete Vaz de Carvalho, na Rua da Cale, aquando das comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, de que aqui demos conta. Esse facto é contextualizado neste texto, enviado pela Prof.ª Ana Brioso, elemento da equipa da Biblioteca Escolar, a que acrescentamos algumas fotografias e filmes da autoria dos alunos da turma LH2 do 10º ano. Parabéns, novos zeladores do património, e bom trabalho nesse desafio!
O programa, iniciou-se a partir das 16h00 do dia 18 de abril, com a participação ativa dos alunos da turma 10ºLH2 do AEF, junto à fachada exterior do Palacete Vaz de Carvalho, do Séc. XVII, situado na rua da Cale, com a descodificação histórica do mesmo feita pelo aluno Nuno Fians, que informou que foi mandado construir em 1735, pelo Desembargador do Paço José Vaz de Carvalho (c.1675-1752), cuja ação foi fundamental para a criação do Município do Fundão e sua elevação a vila. Passou-se à visita interior ao edifício, feito pelo Dr. Pedro Salvado, diretor do Museu Arqueológico e pela arqueóloga, Dra. Joana Bizarro. Puderam ser vistos alguns vestígios resultantes da investigação arqueológica feita no local, atestando uma possível ocupação desde espaço urbano desde a época romana, dada a presença de fragmentos de tegolas. Seguiu-se a conversa aberta em torno da Fonte oitocentista no jardim exterior, já reabilitada, em que o Dr. Pedro Salvado mostrou o papel da água como matéria de sustentabilidade futura, visto encontrar-se ali uma nascente. Foi adiantado o reforço da densidade monumental deste edifício e o rearranjo estético do jardim, com o valioso contributo que darão os brasões que durante muitos anos estiveram descontextualizados nas reservas do Museu e que voltarão a este espaço, cuja descrição, a partir de imagens, foi feita pelas alunas Carolina Carvalho e Luna Gamanho. A este propósito, a aluna Beatriz Shimahara abordou sumariamente a temática da importância da Heráldica, que já tinha sido testemunhada pela Matilde Gomes ao apresentar o Brasão dos Macedo na fachada principal do edifício e pela Leonor Braga que apresentou o Brasão dos Macedo, visível na parte exterior da capela existente no interior do edifício.
Ficou provado que este palácio tem grande significado patrimonial por todos os elementos arquitetónicos presentes, pelas memórias que guarda e pelas diversas funções que assumiu e as que pode vir assumir num futuro próximo. Prevê-se que aqui vai nascer o Centro Hugue Varines, que albergará a revitalização de todo o seu legado, a notável biblioteca temática de mais de dois mil volumes. Trata-se de um novo desafio, aceitar todo este legado saber revitalizá-lo, constituindo-se num poderoso ator de desenvolvimento local.
Novos desafios futuros foram colocados a estes alunos, como zeladores do património.
[Texto enviado pela Prof.ª Ana Brioso]
segunda-feira, 17 de abril de 2023
Amanhã comemora-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios
Amanhã comemora-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios e estaremos nessas comemorações através da nossa colega da equipa da Biblioteca, Ana Brioso e a turma LH2 do 10.º ano, em articulação com o Museu Arqueológico Municipal José Monteiro, que nos enviou a seguinte nota de imprensa:
O Museu Arqueológico Municipal José Monteiro associa-se às comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios este ano sobre o tema: “Património e Mudança” enquanto oportunidade de reforçar as questões de salvaguarda, de inovação e de compromisso com a herança comum que nos une enquanto fatores de identidade e de esperança. As ações serão realizadas em colaboração com o Agrupamento de Escolas do Fundão e a Divisão de Ordenamento e Planeamento deste Município.
segunda-feira, 6 de março de 2023
ALUNOS PARTICIPAM NA COMEMORAÇÃO DOS 75 ANOS DO MUSEU ARQUEOLÓGICO DO FUNDÃO
"No
dia 24 de fevereiro, celebraram-se os 75 anos do Museu Arqueológico
do Fundão, com a inauguração, no mesmo Museu, de uma exposição intitulada "75
ANOS DE VIDA 40 MIL ANOS DE MEMÓRIAS DO TERRITÓRIO". Alunos do 10º LH1,
LH2 e 9º C assistiram à apresentação da exposição, visitaram-na, e ainda
tiveram a possibilidade de revisitar os espaços do Museu. A mostra
apresenta os principais momentos da história desta instituição ao longo dos 75
anos da sua existência. Os alunos puderam reconhecer o papel de José Alves
Monteiro na criação deste Museu, organizando-o e contribuindo para o aumento do
seu acervo e do conhecimento e estudo do património cultural do concelho. Os
alunos estão reconhecidos a toda a equipa técnica do Museu no seu trabalho de
proximidade com a escola, a comunidade e a sociedade em geral, porque é uma
equipa que de forma incansável investiga, coleciona, preserva, interpreta e
expõe o património material e imaterial do nosso concelho. Parabéns!"
[Ana Brioso]
quinta-feira, 19 de janeiro de 2023
Alunos da Fatela no Museu Arqueológico Municipal
Estivemos de novo em contacto com o Museu Arqueológico Municipal do Fundão. Desta vez foram os alunos da EB1 da Fatela que visitaram aquele espaço. Aqui fica a descrição da visita, escrita pela Professora Ana Batista.
No âmbito do plano de conteúdos da AEC de Património,os alunos da EB da Fatela realizaram uma visita de estudo ao Museu Arqueológico Municipal José Monteiro, no dia 16 de janeiro.
No decorrer desta atividade tiveram oportunidade de ver artefactos e diversas peças de património local recolhidos no concelho do Fundão. Participaram ainda numa atividade prática em que recriaram um mosaico romano.
Foi uma manhã muito proveitosa, em que todos tiveram contacto com um espaço museológico e adquiriram novos conhecimentos sobre o passado.
domingo, 15 de janeiro de 2023
O Museu veio (de novo) à Escola!
Uma vez mais tivemos o Museu Arqueológico Municipal do Fundão no Agrupamento, reforçando a estreita ligação entre as duas instituições que já vem de há alguns anos. O motivo desta aula especial foi a cultura castreja e a romanização no concelho do Fundão e o grupo-alvo foram os alunos de História A, disciplina nuclear nos cursos de Humanidades. A iniciativa foi promovida pela Biblioteca do Agrupamento de Escolas do Fundão, através da Prof.ª Ana Brioso que faz parte da equipa que trabalha com os bibliotecários. Muito agradecemos ao Museu pela sua disponibilidade permanente. Aqui fica o filme dos acontecimentos e alguns comentários dos alunos presentes.
Resta-nos agora agradecer à professora Ana Brioso, e ao Museu Arqueológico do Fundão, pela agradável sessão.
Explicaram o seu trabalho no museu, a arqueologia, que se ampara nas escavações, feitas no exterior, e o trabalho realizado dentro do museu, também de precisão, para analisar as peças e se preciso restaurá-las. Referiram locais de exploração arqueológica da cultura castreja, como a Covilhã Velha, onde haveria estruturas circulares das casas, como a Covilhã Velha, ou o Povoado de São Brás onde encontraram muralhas e fragmentos de cerâmica e a Argemela com duas linhas de muralhas muito bem consolidadas. Já sobre o período romano foram referidas as Quintas da Torre onde em escavações foi descoberto um antigo lagar romano, onde foram encontrados mais de 6 kg de grainhas de uva, um feito internacional evidenciado no Fundão, pois facilita o trabalho dos investigadores, possibilitando conhecer a qualidade do vinho que aqui se produzia.
Estou muito agradecido por esta iniciativa, à minha professora e a todos os elementos do museu, que me proporcionaram uma experiência que me vai ajudar para o meu futuro profissional e para poder preservar e observar o património castrejo e romano, como ele merece, para percebermos melhor o nosso passado, para evoluirmos no futuro.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2022
O Museu como Escola ou a Escola vai ao Museu
É um hábito que vem de longe, de muito longe mesmo, a colaboração ativa e frequente entre o Agrupamento de Escolas do Fundão e o Museu Arqueológico Municipal do Fundão. O Museu vem a qualquer uma das escolas do Agrupamento, sempre que é necessário, e as escolas vão ao Museu sempre que precisam de enriquecer qualquer aspeto das disciplinas que envolvem a atividade museológica. Até já podíamos fazer um filme com as atividades que se têm desenvolvido, desde a participação dos alunos nas escavações arqueológicas, à produção de fogo como na Pré-História, passando pela poesia de Fernando Pessoa ou pela visita guiada ao Fundão do tempo das revoluções liberais.Esta tradição voltou a acontecer na passada terça-feira: para consolidar conteúdos sobre a romanização, o Museu foi a Escola dos alunos de História A. Agradecemos aos nossos amigos Joana Bizarro e Pedro Mendonça a visita guiada, e à Professora Ana Brioso que inspirou a atividade em articulação connosco. Fica o filme dos acontecimentos e o registo escrito dos alunos sobre a atividade:
A Visita de estudo ao Museu arqueológico José Monteiro no dia 6 de dezembro, no âmbito da disciplina de História A, foi guiada por dois técnicos do Museu Arqueológico, a arqueóloga Dra. Joana Bizarro (na turma LH2) e pelo Engenheiro Pedro Mendonça (na turma LH1). Começou com a apresentação detalhada do Menir e da Estela que se expõem à entrada do Museu. Foi feita uma introdução ao papel do Museu como um espaço de cultura e de construção da nossa memória coletiva, através da exposição e preservação dos vestígios encontrados nosso concelho, desde o período Paleolítico ao período Romano. Ao longo da visita pelas diversas salas foi possível selecionar algumas peças para uma análise mais profunda, sendo possível aos alunos seguir a sua trajetória desde o local onde foram encontrados até se tornarem peça do Museu, um espaço privilegiado de produção de conhecimento. De acordo com o plano da visita, foi dada enfase especial ao acervo do Período Romano, no que diz respeito ao povoamento, quotidiano e epigrafia, permitindo analisar a relevância do legado político e cultural clássico para a civilização ocidental, nomeadamente a nível da administração, da língua, do Direito, do urbanismo e da arte. A opinião dos alunos foi muito favorável, manifestando muito interesse ao longo da mesma.
[Prof. Ana Brioso]
Além de já ter ido inúmeras vezes ao museu, foi apenas desta vez que consegui reparar em vários pormenores que até aqui ainda não tinha reparado, como as gravuras no Menir e na Estela que vemos logo à entrada do Museu, onde gravaram objetos do quotidiano, como espelhos, armaduras, espadas. Na parte do paleolítico (pré história), adorei saber que há no concelho do fundão gravuras que só se podem ver numa certa altura do ano (verão), e que estão tão perto de nós e nunca tivemos a curiosidade de visitar esse local. Surpreendeu-me também a estátua presente na sala da época romana, que representa a intensa atividade agrícola nesta região, principalmente a nível vinícola, estátua esta é hoje em dia o logotipo e a imagem de marca da Adega Cooperativa do Fundão. Também achei interessante o facto de na minha aldeia (Fatela) haver vestígios do Império Romano, como uma lucerna encontrada nas Chafurdas, que serve para iluminação. Com a visita ao museu, fiquei com a impressão que já se descobriu tanto sobre a romanização na nossa região, mas ainda falta descobrir mais, era preciso realizar-se mais escavações no concelho para se encontrar mais vestígios da presença dos romanos nesta zona, embora essa já seja comprovada pelo que já se descobriu, nomeadamente, nas quintas do Ervedal (Castelo Novo), Capinha, Fatela, Alcongosta, Quintas da Torre, Pêro Viseu e tantas outras terras que ainda não foram exploradas e deviam ser.
[Nuno Fians, 10LH2]
O Império Romano claramente deixou, lenta mas eficazmente, as suas marcas na nossa região rural e afastada dos circuitos comerciais do litoral. A integração da área a sul do Tejo não foi demorada, mas a conquista da zona entre Tejo e Douro já o foi, sobretudo devido à resistência dos Lusitanos, por isso os romanos tiveram de ser pacientes, persistentes, determinados e, de certa maneira, tolerantes na sua conquista. Trouxeram a língua, a arte, o direito e a religião, desenvolveram a nossa economia e criaram uma nova organização político-administrativa, assim como também renovaram as cidades já existentes e criaram novas (urbanismo).
[Luna Gamanho, 10LH2]
Achei interessante a maneira como o guia do museu explicou a história envolvida em cada um dos artefactos que mostrou, e também de vermos de tão perto cada artefacto como as pontas de lança, as primeiras cestas e os primeiros indícios da cerâmica.
[João Oliveira,10LH1]
Um dos aspetos de que eu mais gostei na visita ao museu foi a forma de comunicação dos guias e a forma como eles explicavam e interagiam connosco. Também gostei muito da forma como o museu está dividido por épocas e cronologicamente. Por fim, o aspeto que mais me interessou foi o programa de escavações arqueológicas que o museu vai retomar na Quinta do Ervedal no qual cada um de nós pode ser voluntário e participar.
[Miguel Correia, 10LH1]
sexta-feira, 4 de novembro de 2022
O fim de Outubro não é apenas o Halloween!
Temos publicado algumas atividades que nos têm chegado sobre o Halloween. Mas estas celebrações, de origem Celta e muito frequentes na cultura anglo-saxónica, não são as únicas. Em Portugal, a tradição era o Pão por Deus. A professora Ana Brioso, que trabalha connosco aqui, na Biblioteca, enviou-nos uma publicação do Museu Arqueológico José Monteiro que nos fala sobre a tradição do Pão por Deus. Aqui fica a publicação do Museu Arqueológico José Monteiro, com os respetivos agradecimentos, bem como à prof. Ana Brioso.
A origem da tradição Pão por Deus em Portugal
As oferendas aos mortos são comuns em diversas culturas pagãs, incluindo a Celta, cujos homens habitaram o território que hoje conhecemos português. Acredita-se que foi com base nessas tradições, que lembram e homenageiam aqueles que partiram, que nasceu a festa do Halloween, assumindo contornos curiosos de país para país.
O peditório do Pão por Deus no nosso país está também associado a essa tradição de oferenda aos defuntos e celebra-se no Dia de Todos os Santos, ou Dia dos Fiéis Defuntos. O Dia de Todos os Santos era já chamado o Dia do Pão por Deus no século XV e nesse dia repartiam-se alimentos pelos mais pobres.
Este hábito ganhou força um ano após o grande terramoto de 1755 que destruiu completamente parte da capital e que aconteceu justamente no dia 1 de novembro, Dia de Todos os Santos.
Nessa época, a fome e a miséria sentiam-se pela cidade e reforçou a necessidade de partilha de alimentos com os mais necessitados.
Em 1756, as pessoas percorreram assim as ruas de Lisboa, batendo às portas e pedindo qualquer esmola, mesmo que fosse apenas pão. Dado o desespero, as pessoas pediram “Pão, por Deus”.
Em troca muitos pedintes receberam pão, bolos, vinho e outros alimentos para honrar os seus mortos e pedir pela sua alma.
Quando pedem o Pão por Deus, as crianças recitam versos e recebem como oferenda pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, tremoços, amêndoas ou castanhas, que colocam dentro dos seus sacos de pano, de retalhos ou de borlas.
São vários os versos para pedir o Pão por Deus:
Ó tia, dá Pão-por-Deus?
Se o não tem Dê-lho Deus!
Ou então:
Pão por Deus,
Fiel de Deus,
Bolinho no saco,
Andai com Deus.
Em Coimbra o canto é ainda mais completo:
Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós,
Para dar aos finados
Que estão mortos e enterrados
À bela, bela cruz
Truz, Truz!
A senhora que está lá dentro
Sentada num banquinho
Faz favor de s’alevantar
Para vir dar um tostãozinho.
Se dão doces:
Esta casa cheira a broa,
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho,
Aqui mora um santinho.
Se não dão doces:
Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho.
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto
[Neste vídeo, pode ver-se o grupo Galo Gordo a cantar uma canção do Pão por Deus.]
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