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sexta-feira, 6 de junho de 2025

"Poesia em Ti" enche Biblioteca Escolar de criatividade e inspiração

Decorreu ontem, na Biblioteca Escolar, um workshop de escrita criativa intitulado "Poesia em Ti", dinamizado por dois docentes de Filosofia, com experiência no mundo da escrita poética, ambos com livros de poesia publicados. A sessão contou com a participação das turmas B e F do 8.º ano e revelou-se uma experiência verdadeiramente enriquecedora, despertando nos alunos novas formas de olhar e pensar a escrita e a poesia.

O professor Manuel Bento abriu a sessão com uma questão sobre a origem da palavra “poesia”. A partir daí, procurou desmistificar a ideia de que só os grandes nomes da literatura são capazes de escrever poesia. Encorajou os alunos a explorarem a linguagem como um jogo de sentidos, defendendo que, muitas vezes, é ao libertarmo-nos do sentido literal das palavras que encontramos espaço para a expressão mais autêntica das emoções. Para pôr esta filosofia em prática, escreveu um conjunto de palavras num quadro branco e lançou o desafio: criar versos a partir dessas palavras. O resultado foi surpreendente, com os alunos a revelarem criatividade e sensibilidade na sua escrita.

Seguiu-se a professora Catarina Crocker, que apresentou uma imagem invulgarmente inspiradora — um estendal de roupa — e propôs aos alunos que escrevessem versos a partir dessa imagem. O objetivo era mostrar que até os elementos mais simples do quotidiano, como um estendal, podem ser fonte de inspiração poética. Para encerrar, presenteou os alunos com a leitura de um poema da sua autoria, inspirado precisamente nos estendais de Lisboa.

A sessão decorreu num ambiente de grande entusiasmo e envolvimento, e o tempo passou de forma tão leve que quase não se deu por ele. Foi, sem dúvida, uma atividade que abriu portas à criatividade e à expressão pessoal dos alunos, deixando vontade de continuar a escrever e a explorar o mundo das palavras.

A Biblioteca Escolar agradece calorosamente aos professores Manuel Bento e Catarina Crocker, cujo entusiasmo, sensibilidade e capacidade de motivar os alunos tornaram este workshop numa experiência memorável.

domingo, 2 de abril de 2023

"Quase Nada"

2023 é o ano de comemoração do centenário do nascimento de um grande poeta da Beira Interior. Parece “Quase nada”...
 
Por isso, no dia 28 de março de 2023, no anfiteatro da Escola Secundária do Fundão, juntaram-se as vozes dos alunos das turmas do 9º do ensino regular e turma INOVA 9 para homenagear Eugénio de Andrade com música e inspiração.
 
Professores e alunos colaboraram para “Dar voz a Eugénio”!
 


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

11 de setembro de 1973



Faz hoje 42 anos que ocorreu o golpe de Estado no Chile.

No dia 11 de setembro de 1973 Augusto Pinochet liderou um golpe de estado no seu país, Chile, situado na América do Sul, depondo Salvador Allende.

Terminou a democracia e venceu a ditadura.

Um dos símbolos hediondos dessa data foi Victor Jara: após a vitória de Augusto Pinochet, na praça principal de Santiago, capital do Chile, Pinochet mandou que lhe cortassem as mãos e após isso mandou que tocasse a sua guitarra!

Transeuntes a verem os destroços da entrada do Palácio de la Moneda.

Contexto do ano de 1973: 
  • crise do petróleo, criada para provocar o aumento dos preços dos combustíveis;
  • Guerra fria: de um lado a URSS (União das repúblicas socialistas soviéticas); do outro os Estados Unidos, cada um deles a tentar alargar a sua área de influência;
  •  Guerra do Vietname que parecia não ter fim;
  •  a CIA e o governo dos Estados Unidos a  interferirem deliberadamente em toda a América central e América do Sul, tentando garantir que os movimentos socialistas e de esquerda não teriam qualquer protagonismo político.

O Palácio de la Moneda (sede do governo) a ser atacado.
Funcionários do Palácio de La Moneda (sede do governo) a serem levados presos.

terça-feira, 24 de março de 2015

HERBERTO HÉLDER, SEMPRE!

Herberto Hélder (1930-2015), considerado um dos maiores poetas portugueses do século XX morreu ontem, dia 23 de Março. “O prestígio da poesia” e "Sobre um poema", no dia a seguir ao desaparecimento do poeta e dois dias depois do Dia Mundial da Poesia.


O Prestígio da Poesia
O prestígio da poesia é menos ela não acabar nunca do que propriamente começar. É um início perene, nunca uma chegada seja ao que for. E ficamos estendidos nas camas, enfrentando a perturbada imagem da nossa imagem, assim, olhados pelas coisas que olhamos. Aprendemos então certas astúcias, por exemplo: é preciso apanhar a ocasional distracção das coisas, e desaparecer; fugir para o outro lado, onde elas nem suspeitam da nossa consciência; e apanhá-las quando fecham as pálpebras, um momento, rápidas, e rapidamente pô-las sob o nosso senhorio, apanhar as coisas durante a sua fortuita distracção, um interregno, um instante oblíquo, e enriquecer e intoxicar a vida com essas misteriosas coisas roubadas. Também roubámos a cara chamejante aos espelhos, roubámos à noite e ao dia as suas inextricáveis imagens, roubámos a vida própria à vida geral, e fomos conduzidos por esse roubo a um equívoco: a condenação ou condanação de inquilinos da irrealidade absoluta. O que excede a insolvência biográfica: com os nomes, as coisas, os sítios, as horas, a medida pequena de como se respira, a morte que se não refuta com nenhum verbo, nenhum argumento, nenhum latrocínio.
Vivemos demoniacamente toda a nossa inocência. 

Herberto Helder, in Servidões

Sobre um Poema
Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne. 



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