Outubro é o Mês Internacional das Bibliotecas Escolares (MIBE), uma iniciativa que se celebra anualmente em todo o mundo e que procura dar visibilidade ao trabalho desenvolvido pelas bibliotecas escolares, destacando a sua importância na vida das escolas e na formação dos alunos. É também uma oportunidade para levar os livros, a leitura e as atividades da biblioteca a diferentes espaços da comunidade educativa.
Este ano letivo, o tema escolhido foi «Bibliotecas, Literacia e Inteligência Artificial». Num mundo em que a tecnologia e a inteligência artificial estão cada vez mais presentes na forma como procuramos, produzimos e partilhamos informação, torna-se particularmente importante aprender a questionar, a interpretar e a avaliar aquilo que lemos e ouvimos. E é precisamente aqui que a leitura e o pensamento crítico se encontram.
Foi a partir desta ideia que os dois professores-bibliotecários levaram às escolas do 1.º ciclo uma atividade que começou com uma história e acabou num desafio à capacidade de pensar, desconfiar e distinguir a verdade da mentira.
O ponto de partida foi o livro «Todos os Escritores do Mundo Têm a Cabeça Cheia de Piolhos», de José Luís Peixoto. Depois da leitura partilhada com os alunos, aproveitámos a história para conversar sobre a informação que circula à nossa volta e sobre a facilidade com que uma notícia pode ser mal interpretada, alterada ou até inventada. Falámos das chamadas fake news, das notícias falsas que se espalham, muitas vezes, com grande rapidez, e do papel que a inteligência artificial pode ter na criação de imagens, textos e informações que parecem verdadeiros, mas que nem sempre correspondem à realidade.
Mas não ficámos pela conversa!
Passámos à ação com um jogo de deteção de notícias falsas. Nalgumas turmas, foram apresentadas aos alunos várias manchetes e o desafio consistia em decidir se cada notícia era verdadeira ou falsa. Mais do que acertar na resposta, interessava perceber o raciocínio de cada um: por que razão acreditavam naquela notícia? O que lhes parecia estranho? Que elementos os levavam a desconfiar? Que informações seria necessário confirmar?
As respostas e justificações deram origem a momentos de discussão bastante interessantes. Afinal, nem tudo o que aparece escrito é verdade, nem tudo o que vemos corresponde à realidade e, por vezes, aquilo que parece mais convincente é precisamente o que merece ser questionado.
Ao longo do mês de outubro, esta atividade passou pela EB1 de Pêro Viseu, EB1 de Alcaria, JI de Alcaria e EB1 de Santa Teresinh.
Entre histórias, perguntas, palpites e algumas surpresas, procurámos mostrar aos alunos que ler também é aprender a pensar, que a curiosidade é uma boa aliada e que não devemos acreditar em tudo o que vemos ou ouvimos sem antes procurar saber mais.
Porque as bibliotecas escolares são também espaços onde se aprende a questionar o mundo, a informação e as ferramentas que fazem parte do nosso quotidiano.
E, neste caso, ficou uma ideia que vale a pena guardar: antes de partilhar uma notícia, convém parar, pensar e confirmar. Nem tudo o que parece verdade é verdade!